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segunda-feira, 27 de junho de 2011

A mata, minha casa

 
ANTES

Artigo de José Renato Nalini.



Este ano de 2011 é importantíssimo para o Brasil. Está em pleno curso um projeto que mutila o Código Florestal. Dentre outros absurdos, praticamente acaba com a reserva legal, o mínimo de mata virgem a ser preservado ou espaço deteriorado a ser regenerado; anistia todos os que desmataram até 2007; faz escancarada opção pela destruição do que resta de mata virgem.

É um evidente retrocesso, incompatível com a promessa do constituinte ao redigir um artigo 225 da Constituição que foi considerado um dos mais belos dispositivos insertos em pactos fundantes em todo o mundo. Retrocesso inadmissível para um Brasil que sediou a Eco-92 e que se prepara – sem o mesmo entusiasmo – para sediar o encontro Eco + 20 no ano que vem.
O movimento orquestrado conseguiu congregar o esquerdismo e o ruralismo de extrema direita, o que é ao menos interessante. Em nome do “progresso”, legitima-se a devastação, como se o país já não tivesse áreas destinadas à agricultura que, hoje ociosas, poderiam servir a incrementar a produtividade, sem necessidade de reduzir ainda mais os fragmentos de mata atlântica ou de outros biomas protegidos ainda restantes. A batalha hoje travada se presta a rememorar o episódio Davi versus Golias.
De um lado, o capital inclemente, a deturpação do ambientalismo, a urgência em prestigiar o dinheiro, em desfavor do ambiente. O milagre seria o convencimento dos parlamentares, para que pensassem no futuro. O que dirão as futuras gerações de uma sociedade que não preservou o patrimônio natural, por elas não construído, mas destruído numa rapidez que não encontra paralelo na história da civilização? Do lado do bem está a Igreja, cuja campanha da fraternidade contempla os maus-tratos perpetrados à natureza.
Deus queira as crianças se motivem a forçar seus pais a refletirem sobre a seriedade deste momento. Elas são puras, ingênuas e enxergam a realidade com olhos que já não temos. Minha geração, inconsciente e irresponsável em relação à natureza, fez os estragos que o planeta nunca antes havia experimentado. À espera do milagre, mandemos a floresta brasileira à próxima degola.
José Renato Nalini, desembargador da Câmara Reservada ao Meio Ambiente do Tribunal de Justiça de São Paulo.
(As opiniões dos artigos publicados no site Observatório Eco são de responsabilidade de seus autores.)

DEPOIS

  Fonte:  http://www.observatorioeco.com.br