domingo, 4 de março de 2012

A luta para resgatar animais

Um belo texto da Protetora Claudia Porto que compartilhamos com vocês


A luta para resgatar animais e encaminhá-los, de forma responsável, a novos lares, é infinita.

No entanto, nem tudo é o que parece ser. Há pessoas mal intencionadas infiltradas no meio da proteção animal e outras tão péssimas quanto tentando viver às custas dos bichos.

Por incrível que possa parecer aos desavisados ou pouco entendidos no meio da proteção, há pessoas que acumulam animais de forma doentia, sem direito a cuidados mínimos de higiene e saúde, deixando-os permanentemente em estado lastimável.

Há outras que se fazem passar por adotantes e protetores, mas procuram animais (principalmente filhotes pequenos) para fins escusos, como pesquisas pseudo-científicas, treinar pitbulls ou alimentar répteis e aves de rapina.

Saiba como reconhecer um trabalho honesto e decente, que realmente merece ajuda.


1) Procure ajudar ONGs legalmente estabelecidas (não grupos que se dizem ONGs), ou grupos e protetores conhecidos. Se possível, peça referência a amigos que estejam em contato com o meio da proteção, ou busque informações na internet.

2) Desconfie de quem quer ficar no anonimato, e se recusa a prestar maiores informações. Protetor de verdade não se nega a mostrar seu trabalho para quem quer ajudá-lo. Trabalho que tem que ser escondido e ficar na obscuridade é trabalho que não existe.

3) Nunca entregue animais encontrados nas ruas nas mãos de qualquer um. Há pessoas que os usam para inúmeros fins trágicos: treinar pitbulls para rinha, alimentar animais carnívoros, fazer "trabalhos" de magia negra, usar em pesquisas e outras abominações. Desconfie, questione, não se deixe enganar. Você pode estar entregando um animal inocente para a morte.

4) Aliás, protetor de verdade não sai por aí recolhendo animais à torto e à direito. Muito menos fica na internet se candidatando a abrigar animais - ele mesmo os encontra e recebe pedidos de ajuda todos os dias. As ONGS são formadas por um número reduzido de pessoas, e estão sempre endividadas. Nenhuma ONG ou grupo sério de protetores tem uma infraestrutura que lhes permita sair por aí oferecendo seus préstimos. Quem procura animais para abrigar, oferecendo mundos e fundos, geralmente tem outros interesses. 

5) A propósito, se você encontrar um animal na rua, e quiser recolhê-lo, leve a um veterinário, castre e anuncie. Não o entregue a um abrigo ou a um protetor. Dê lar temporário. Não é complicado como se pensa, basta um banheirinho para isolar dos animais que você já tiver em casa. E há dezenas de sites onde se pode anunciar adoções. 

6) Prefira sempre ajuda com ração ou medicamentos, nunca com dinheiro. Desconfie de quem passa milhões de apelos desesperados diários, passando sempre a conta bancária para doações, sem nunca prestar contas de nada. Ajude com dinheiro somente os protetores a quem você conhecer e confiar, ou ONGs conhecidas. 

7) Procure conhecer pessoalmente o trabalho da ONG ou protetor que você está ajudando. Visite o local, veja se os animais estão sendo alimentados e cuidados, se tem água e comida disponíveis, se os doentes estão sendo medicados. Observe as condições de higiene. Converse com a pessoa responsável. Veja se lhe parece responsável, se realmente se importa com os animais abrigados.

8) Não dê dinheiro a colecionadores de animais. Um colecionador é aquele que acumula animais sem dar-lhes condições de vida digna. Procure no Google o termo "hoarding" e verá do que estou falando. Essas pessoas, se ajudadas com dinheiro, apenas pegarão mais e mais animais, e os submeterão a um inferno em vida. Se você está realmente penalizado com a situação em que vivem os animais de um colecionador, tire-os de lá. Ou denuncie para um protetor de verdade. Não compactue.

9) Ao doar um animal, não tenha pudores de exigir que ele tenha condições boas de vida. Doe sempre animais castrados, ou mantenha contato com o adotante e cobre dele que o animal seja castrado na idade adequada (caso tenha doado um filhote e sua cidade não ofereça castração precoce). Exija segurança: muros altos e janelas teladas, para que o animal não possa ir para a rua, nem caia de uma janela.

10) Se for possível, procure se filiar a uma ONG ou grupo de proteção animal. Há diversos tipos de filiação, desde se tornar sócio ou apadrinhar algum animal abrigado (com direito a ter sempre notícias e até mesmo visitá-lo) a participar de listas de discussão onde você poderá se manter sempre bem informado.


Ajude, mas com cautela e acima de tudo, com responsabilidade.


Claudia Porto