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quarta-feira, 26 de junho de 2013

Lipidose Hepática Felina




Lipidose Hepática Felina


A Lipidose Hepática também é chamada de Síndrome do Fígado Gorduroso e se caracteriza pelo acúmulo de gordura (lipídios) no interior das células do fígado. É uma doença muito frequente, nem sempre compreendida e diagnosticada de forma precoce, e que em casos mais graves pode levar o gato à morte.

Mucosa da boca amarelada em um gato com Lipidose Hepática - Imagem: Arquivo pessoal Dra. Estela Pazos

Para entender como o gato desenvolve a Lipidose Hepática, temos que saber um pouco sobre uma particularidade específica do seu metabolismo: o gato é carnívoro verdadeiro, ou seja, adquire a maior parte da sua energia através das proteínas (carnes) ingeridas na alimentação. Se ele deixar de comer ou apenas diminuir a quantidade de alimento que ingere rotineiramente, é o suficiente para o organismo começar a usar a gordura do corpo como fonte de energia; um mecanismo de proteção para suprir a queda na ingestão calórica. Essa gordura é mobilizada para o fígado e inicia-se o problema: o gato não tem grande capacidade de transformar a gordura em energia e nem eliminá-la rapidamente, e assim ela começa a se depositar nas células hepáticas. O acúmulo de gordura no fígado pode ocasionar a perda de atividade hepática em até 80%. Por este motivo, o emagrecimento no gato deve ser feito de forma lenta e gradual, com acompanhamento veterinário.

É importante salientar que qualquer alteração na ingestão da quantidade e/ou qualidade de alimentos pode desencadear o problema, por exemplo, uma dor de dente ou qualquer outra doença que cause diminuição do apetite, ou seja, o gato não precisa parar de comer totalmente, o fato de ingerir menor quantidade de alimento já pode desencadear a Lipidose Hepática. Uma condição de estresse também pode fazer com que com que o gato deixe de se alimentar (por exemplo, a chegada de um novo gato na casa, a chegada de um bebê, mudança de casa, mudança de ração, alteração na rotina da casa). É importante identificar a causa para evitar que o problema aconteça novamente.

A Lipidose Hepática ocorre mais frequentemente em gatos obesos, e quanto mais “gordinho”, maior será o risco. Se o proprietário notar que o animal está emagrecendo sem causa aparente, é indicado procurar orientação veterinária rapidamente. É indicada a realização de exames de sangue e ultrasonografia de abdômen para concluir o diagnóstico. É comum o gato ficar mais quieto, depressivo e sonolento. O gato pode apresentar vômitos e principalmente náuseas, sendo comum vê-lo salivar ao oferecer alimento. A pele, gengiva, orelhas e a parte branca dos olhos podem ficar amareladas devido ao pigmento biliar que se acumula nos tecidos, pois a bile fica na circulante no sangue.

O tratamento é feito com medicamentos para controlar as náuseas e vômitos, restabelecimento da função hepática e o principal: fornecer alimento hipercalórico e hiperprotéico através de alimentação forçada, pois o gato com náusea não terá apetite para comer sozinho. Pode haver necessidade de colocação de sonda esofágica para que o gato receba o alimento diretamente no estômago, garantindo a nutrição e medicação na quantidade adequada. O gato estará recuperado quando voltar a ter apetite e se alimentar normalmente e isso pode levar de 1 até 6 semanas.

A melhor forma de prevenir a Lipidose Hepática é manter seu gato em boa condição corporal, dieta balanceada com uma ração de boa qualidade, acrescentando brinquedos e variadas formas de exercícios a sua rotina, evitando o sedentarismo e estresse.




Dra. Estela Pazos

Dra. Estela Pazos CRMV-SP17880 - Médica Veterinária Pós-Graduada em Medicina Felina. Atende exclusivamente felinos. Trabalha com treinamento e comportamento felino na agência Estrelas Animais. Cursou acupuntura veterinária e trabalha com Laserterapia e Laseracupuntura para gatos. É diretora científica e coordenadora de cursos do Clube Brasileiro do Gato e membro da AbFel – Academia Brasileira de Clínicos de Felinos.


Fonte: Pet Rede