quarta-feira, 30 de junho de 2010

Como deixar o gato passear ao ar livre

20/06/2010

Como deixar o gato passear ao ar livre, sem sair da gaiola

The New York Times
Jennifer A. Kingson
No que diz respeito a suas casas, há poucas coisas que os nova-iorquinos valorizam mais do que um pequeno espaço ao ar livre – uma varanda, talvez, ou um pequeno quintal nos fundos.
Seus gatos pensam da mesma forma.
Então alguns donos de gatos que nunca sonharam em deixar seus bichanos passearem livremente na rua tiveram uma ideia criativa: um espaço fechado – normalmente na forma de um jardim de inverno ou varanda fechada – que permite que eles desfrutem da paisagem de fora.
Por favor, não chame isso de uma jaula. Eles preferem o termo “cátio”.
“Os gatos gostam se ficar lá fora”, diz Stefanie L. Russell, 44, referindo-se à varanda de seu apartamento no 12º andar em Greenwich Village, onde um cercado feito em casa mantém seus três gatos birmaneses em segurança. “Antes, nós basicamente não usávamos a varanda, porque tínhamos medo de que os gatos pulassem.”
Há dois anos, ela e o marido, Robert Davidson, que estão na Faculdade de Odontologia da Universidade de Nova York, cercaram metade da varanda que tem a mesma extensão do apartamento. Eles usaram cano de PVC industrial e uma rede escura, criando um espaço totalmente cercado que decoraram com móveis, plantas e carpete.
Agora o casal e sua filha de 9 anos, Sophie, deixam a porta da varanda aberta para Oliver, Lily e Jacskon, que são, segundo Russell, “o tipo de gato que adora fugir para o corredor de entrada.”
Os gatos parecem mais felizes, diz ela, e eles tiveram um benefício inesperado: “Antes costumávamos ter ninhos de pombas na varanda, e elas faziam muita sujeira”. Agora, os pássaros mantém a distância.
Os cátios avançaram pelos subúrbios da cidade, onde vão desde estruturas pequenas e práticas – como uma caixa feita com madeira e arame de galinheiro – até playgrounds luxuosos para os gatos, cheios de túneis e troncos para arranhar. Mas esses cercados ainda são raridade na cidade, onde abrir mão de até meio metro quadrado de área imobiliária para uma privada de gato pode parecer um sacrifício.
Mas o sacrifício valeu a pena para Mary Sillman e Martin Stein, que reservaram metade de sua pequena varanda em Park Slope para Buster, um gato cinza de 9 anos adotado de um abrigo que costumava usar a varanda do apartamento de um quarto para escapar.
“Eu consegui encontrá-lo, mas tive que pular cercas de quintas e incomodar os vizinhos”, diz Sillman, 55, artista gráfica.
Há dois anos, Stein, que é arquiteto, construiu um cátio do tamanho de duas cabines telefônicas para o qual Buster consegue ir saindo por uma janela.
“Foi o máximo para ele”, diz Sillman. “Ele simplesmente adora olhar os jardins e os quintais das pessoas lá em baixo.”
Embora o próprio casal tenha ficado com menos espaço aberto, eles não ligam, diz Sillman. “É como se estivéssemos compartilhando a varanda.”
Outra moradora de Park Slope, Rose-Marie Whitelaw, transformou toda sua varanda de 18 metros quadrados num paraíso para seus sete gatos. Usando canos e cercas de arame, ela ergueu um cercado que os gatos não conseguem pular, e pintou-o de preto para que ficasse menos perceptível.
“Levo jeito para mexer com canos de cobre e solda”, diz Whitelaw, 50.
Ela e o marido, Russell Piekarski, têm uma mesa de piquenique do lado de fora, onde fazem refeições entre os gatos quando o tempo está bom. Uma porta de vidro leva à cozinha e ao escritório, e os gatos normalmente podem entrar e sair durante o ano inteiro.
“Quando a neve chega até aqui, Julius faz túneis”, disse Whitlaw, referindo-se a seu grande gato amarelo.
Esses cátios são feitos pelos próprios donos, mas várias empresas, a maioria delas familiares, vendem cercados de gatos já prontos ou constroem sob medida. Um grande nome do mercado é a Kittywalk Systems, uma empresa de nove anos em Port Washington, Nova York, administrada por Jeff e Lise King. Ela venda cercados modulares para gatos – tubos e espaços – que podem ser usados individualmente ou reunidos em verdadeiros reinos para gatos como o sistema Habitrail para hamsters.
“As pessoas são muito criativas”, diz King, que fabricou o primeiro cercado há dez anos para o gatinho de sua filha. “A única coisa que o limita é sua imaginação e o seu bolso”.
Ela agora vende cercados em dezenas de formatos e tamanhos, alguns com nomes imaginativos como a Cobertura (com três níveis de redes) e a Roda Gigante (parece com uma). A Kittywalk também vende carrinhos para levar gatos e cachorros. Como um gesto de apoio aos soldados, o casal têm enviado cercados de gatos para as bases norte-americanas no Iraque e no Afeganistão.
“O que mais me gratifica é que os gatos gostam dos meus produtos”, disse King.
Até dentro de casa um cercado de gatos pode ser útil, diz Carole C. Wilbourn, terapeuta de gatos de Manhattan que o recomenda aos clientes que tem problemas como a “hostilidade entre gatos”, como ela chama.
“Tenho casos em que a pessoa está levando um novo gato para uma quitinete”, disse Wilbourn. “É difícil para eles estabelecerem uma barreira” para os gatos se acostumarem um com o outro sem brigar, diz ela. Um cercado mantém os gatos separados – mas dentro da vista – até que eles se acostumem um com o outro.
Os veterinários têm opiniões diferentes quanto à questão de os gatos ficam deprimidos de passarem a vida dentro de casa. Alguns, como Drew Weigner, especialista em gatos de Atlanta, acreditam que os espaços ao ar livre proporcionam benefícios emocionais aos gatos. Embora seja mais seguro ficar dentro de casa, “num jardim cercado, eles farão mais exercícios”, disse Weigner. “Além disso, há o estímulo intelectual, entre aspas.”
Weigner aconselha os donos de gatos a proteger o chão dos cercados, para evitar o contato com pulgas e parasitas. Ele citou o site da Associação Norte-Americana de Veterinários de Felinos, que recomenda vários tipos de cercas para os gatos que moram nos subúrbios.
Arnold Plotnick, veterinário que é dono do consultório Manhattan Cat Specialists no Upper West Side, concorda que o estímulo é bom, mas não acha que os gatos precisam sair de casa.
“Os gatos ficam muito bem dentro de casa durante toda a vida”, diz ele. “É por isso que eles são um bicho de estimação perfeito para Nova York.” Mas ele alerta para a síndrome da altura, quando os gatos pulam ou caem de janelas desprotegidas.  (grifo nosso)
Para donos de gatos na cidade, há algumas opções diferentes. Entre as mais baratas estão os cercados dobráveis que podem ser usados numa varanda (ou dentro de casa) e custa cerca de US$ 40. Para pessoas que têm quintais pequenos, há cercados do tamanho de uma sala – em geral com algumas prateleiras onde os gatos podem dormir ou olhar em torno – vendidos ou construídos por US$ 125 a US$ 500.
Nos subúrbios, onde o espaço não é um problema, os cátios tendem a ser mais elaborados. “Temos alguns clientes que decoram o interior como se fosse outro ambiente – com uma mesa de piquenique, grama para gatos – para que possam ficar ali com seus animais”, diz Kris Kischer, fundadora da Habitat Havenin Toronto, que vende cercados para gatos e cachorros.
Ela oferece kits pré-fabricados “que são como os produtos da IKEA, muito fáceis de montar”, e também fazem instalações personalizadas. “Alguns clientes enviam as informações do que querem por fax; outros enviam fotos e depois nos telefonam”, diz Kischer. “Daí podemos falar sobre medidas e projetar o que eles precisam para seu espaço.”
Uma de suas clientes é Madelaine Ann Hare e sua parceira, Patti Halloway, que vivem numa casa de seis quartos em Toronto com três gatos abissínios. Kischer transformou a varanda do segundo andar num cercado para gatos, e depois construiu uma passarela de sete metros que vai até um carvalho e o circunda. A estrutura fica a cerca de seis metros do chão.
Os gatos ficam “entrando e saindo dia e noite”, diz Hare, 59, advogada aposentada. “Deixamos o cercado aberto de março a outubro, e os gatos estão perfeitamente seguros lá, nada pode acontecer a eles.”
Os gatos – Jasper, Quincy e Nelson – são conhecidos dos esquilos da vizinhança, diz Hare. “Eles chegam, procuram os gatos e os esperam”, diz ela. “Os esquilos circundam a árvore, e os gatos correm atrás deles, daí os esquilos viram e fazem barulhos para os gatos.”
O forte na árvore de Hare pode soar muito elaborado, mas é modesto em comparação com o que Kara e Dean McCormick construíram em sua casa perto de Port Jefferson, NY. O casal, que tem quatro gatos, ficou noivo em 15 de abril de 2005 (Kara McCormick é uma contadora de impostos) e começou a planejar seu cátio dos sonhos no dia seguinte.
Usando produtos da Kischer e instruções de um site chamado Just4Cats.com (Só Para Gatos), os McCormick construíram dois grandes cercados ao ar livre conectados por um túnel de 13 metros de comprimento. O cercado da frente – com quase um metro quadrado e dois metros de altura – fica colado à casa e tem um chão de cedro e prateleiras onde os gatos podem descansar.
De lá, o longo túnel, que fica a cerca de dois metros do chão, leva a um cercado maior com um banco onde os McCormick gostam de sentar. Os gatos saem no verão e no inverno, diz o McCormick, principalmente quanto ela começa a passar o aspirador de pó.
“Nós queríamos que nossos animais saíssem com segurança e não perturbassem os vizinhos”, diz ela. “Queríamos que eles desfrutassem da vida ao ar livre, do canto dos pássaros, ar fresco e de algum exercício”. O casal agora está planejando reformas na casa, que incluem acrescentar um segundo andar e – é claro – expandir o cercado dos gatos.
Kate Benjamin, dona do blog de estilo ModernCat.net, vê os cátios como parte do que ela chama de movimento moderno pelos animais, que sustenta que as pessoas não precisam sacrificar o bom gostou ou o conforto para viver com seus animais de estimação.
Em seu site, Catioshowcase.com, ela coleciona imagens de cercados de gatos bem planejados, e em seu blog, ela mostra camas e privadas de gatos com um visual requintado.
“Procuro produtos com um design interessante para viver com gatos, e não aqueles arranhadores feios cobertos com carpete”, diz Benjamin, 39, que mora em Phoenix e tem sete gatos. O cátio dela tem prateleiras para escalar, uma privada embutida e um arranhador do chão até o teto.
Ela é apaixonada pela visão que têm sobre os produtos para animais.
“Quero que todo o mercado se expanda para que as pessoas possam de fato gostar de ter animais e não ter coisas que as incomodam”, diz Benjamin. “É muito mais do que design e estética – é remover todas as razões pelas quais as pessoas abandonariam seus animais.”
Tradução: Eloise De Vylder