quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Gatos, miau! 














Os gatos convivem conosco há 5 000 anos. Mesmo assim, sabemos pouco sobre eles: o miado e o ronrom, por exemplo, continuam sendo grandes mistérios. Um novo livro joga luz sobre os bichanos.

por Jerônimo Teixeira / Paulo Pelá


Você está curtindo um momento de relax depois de um dia de trabalho particularmente estafante. Acomoda-se no sofá para ler a Super, e – veja só que coincidência – seu gato aproveita para usá-lo como almofada, enrodilhando-se preguiçosamente sobre seu colo. Não demora muito, o bichano começa a produzir um ruído baixo e regular, acompanhado de uma certa vibração, como se acionasse um motorzinho secreto. Está ronronando. Bom, não é mesmo? Um daqueles prazeres exclusivos que só os elurófilos (aficionados por gatos) conhecem. O que você talvez não saiba é que aí no seu colo está um mistério científico.



Ninguém sabe qual a função exata do ronrom. Ao contrário do que imagina a maioria das pessoas, inclusive aquelas que têm experiência com gatos, esse simpático ruído nem sempre é uma expressão de prazer. Gatos que se encontram em situações de estresse ou que estão sofrendo uma dor forte também ronronam. “Quando estão com dor, eles parecem usar esse ruído relaxante como uma espécie de mantra”, diz o veterinário João Telhado Pereira, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, especialista em comportamento animal. De toda forma, na situação em que você foi colocado no início da matéria – uma situação hipotética, claro, mas nem por isso menos confortável –, dá para supor que seu gato está tranqüilo e satisfeito, sem dor ou estresse. Agora, largue a revista por um momento e tente determinar de onde vem o barulho.

Você vai ter alternadamente a impressão de que o ronrom vem do nariz, ou da garganta, ou do peito do gato. Pois é outro mistério: ninguém sabe como os gatos ronronam. Os cientistas só têm conjecturas: o ruído seria produzido pela passagem de ar nos brônquios, ou por certos vasos do coração.



Gatos são mesmo fascinantes. Não é por nada que eles acumularam tantas lendas e equívocos ao seu redor. É o caso, por exemplo, do dito popular segundo o qual os gatos têm sete vidas. Felinos dos Estados Unidos e da Inglaterra são ainda mais sortudos: em inglês, dizem que eles têm nove vidas. Parece ser uma crença bem antiga – já aparece em um diálogo de Romeu e Julieta, peça de Shakespeare escrita no final do século XVI. Menos auspiciosa é a idéia, infelizmente ainda muito generalizada, de que o gato não é amigo do dono, mas da casa. Deve ter sido invenção desse pessoal que gosta só de cachorro. A oposição entre cães e gatos, no entanto, é criação humana. Eles não são inimigos naturais e podem conviver muito bem sob o mesmo teto. (Aliás, o autor desta matéria esclarece que gosta igualmente de ambas as espécies e jamais escreveria sobre uma em detrimento da outra.)

Gatos e cachorros, é verdade, relacionam-se com o dono de modos diferentes. Os cães são animais gregários. Seus equivalentes selvagens, os lobos, vivem e caçam em grupo. Em situação doméstica, o cão tende a ver o dono como uma espécie de chefe da matilha. Os gatos, ao contrário, são individualistas. Os felinos, em sua maioria, caçam sozinhos – a exceção célebre é o leão. Isso conduz a formas diferentes de socialização com os humanos. “Nós somos visitantes no espaço deles. Eu moro na casa dos meus gatos”, afirma Luiz Paulo Faccioli, juiz internacional de concursos de gato promovidos pela TICA (sigla em inglês para Associação Internacional de Gatos).


Isso não significa que eles devam mandar na casa. É o que ensina o treinador Bash Dibra, em CatSpeak (ainda inédito no Brasil). O título pode ser traduzido livremente como “A língua dos gatos”, o que resume bem o espírito do livro, espécie de manual de auto-ajuda para donos de gato. Dibra, que acumulou vasta experiência com lulus e bichanos – sua clientela inclui os animais de estimação de celebridades como Jennifer Lopez e Kim Basinger –, revela inclusive algumas técnicas básicas para ensinar truques ao seu animal. “É mais fácil ensinar um cachorro”, diz o autor. Mas isso não quer dizer, como muitos pensam, que os gatos não sejam capazes nem mesmo de atender quando chamados pelo nome. É preciso apenas conhecer a abordagem correta. “Com o cachorro, você manda que ele faça alguma coisa. Com o gato, você pede”, afirma Dibra.



CatSpeak traz um capítulo dedicado à comunicação felina, com uma espécie de dicionário de sons e posturas corporais. Alguns dos “verbetes” são de conhecimento comum. Se um gato arreganha seus dentes, eriça o pêlo e emite um ruído baixo e ameaçador, não é preciso ser especialista em felídeos para saber que ele não está de bom humor. Mas e se o gato de repente salta para perto da janela, mira fixamente um ponto na rua e começa a fazer um som trêmulo, entrecortado, que lembra, de longe, uma metralhadora rouca – você saberia dizer o que houve? Dibra mata a charada: esse é o ruído que o gato faz quando vê uma caça potencial que está fora do seu alcance. Muito provavelmente, ele vislumbrou um passarinho ou uma borboleta voando lá fora.

O mais curioso é que grande parte das emissões sonoras dos gatos são dirigidas a nós, donos de um felino. É o que comprova um recente experimento de psicologia evolutiva realizado por Nicholas Nicastro, pesquisador da Universidade de Cornell, Estados Unidos. Nicastro compilou uma amostra de 100 vocalizações (miados) de 12 gatos. Depois, fez com que dois grupos de voluntários (humanos, bem entendido) ouvissem as gravações. Pediu que o primeiro grupo, com 26 pessoas, atribuísse notas de 1 a 7 conforme o nível de prazer comunicado em cada uma das vocalizações. O segundo grupo, com 28 indivíduos, deu notas na mesma escala tomando como critério a urgência ou aflição dos miados. Nicastro então analisou os miados acusticamente e afirma ter chegado a resultados consistentes. Vocalizações mais longas, do tipo miAAAUU, ganharam notas altas em aflição e baixas em prazer. É o que se ouve quando o gato está com fome.

Com os miados mais curtos, foi o oposto: conceito alto em prazer e baixo em urgência. Esses sons começariam em notas altas e depois baixariam. Algo como MIIIau.

“Todo animal de estimação enfrenta o problema de obter o que deseja dos seus donos humanos”, afirma Nicastro. Os gatos, convivendo com o homem há 5 000 anos, desenvolveram seus meios vocais para conseguir o que querem. “Os cães utilizam outros meios, como a linguagem corporal, a expressão facial etc. Existe uma pesquisa em curso sobre o modo com que os seres humanos entendem os latidos, mas, na minha opinião, os resultados ainda são inconclusivos”, diz o pesquisador. Nicastro, porém, não está afirmando que os gatos falam. Quando miam, estão manipulando o dono para obter o que desejam. Não é nada lisonjeiro, mas é algo que você precisa saber: nós também somos animais treinados.

Nicastro acredita que o miado teve um papel central na evolução dos gatos. Ele esteve em um zoológico da África do Sul gravando os sons de um Felis silvestris lybica, o gato selvagem que é tido como ancestral do Felis catus aí no seu colo. A vocalização do gato selvagem não se revelou muito expressiva: só sugeria irritação. Os primeiros gatos a serem adotados pelo homem teriam se destacado, segundo Nicastro, por emissões vocais agradáveis. Os gatos mais hábeis na manipulação vocal do ser humano teriam progressivamente cruzado entre si, gerando ninhadas de gatinhos cada vez mais espertos no uso do gogó.

   


Mesmo sem a intervenção consciente e direta do ser humano, o resultado seria similar àquele processo que, nos termos da teoria da evolução de Darwin, é conhecido como seleção artificial – a ingerência do ser humano sobre a reprodução de determinada espécie, para obter espécimes melhorados (é o que acontece, por exemplo, quando um criador de gado busca um reprodutor premiado para cruzar com sua vaca mais gorda).

Há controvérsias. O especialista em comportamento animal John Bradshaw, da Universidade de Southampton, Inglaterra, afirma que o uso dos miados para manipular os donos é resultado de aprendizagem individual e não da evolução. Diferentes gatos usariam diferentes tipos de miado para obter a mesma coisa. Nicastro, porém, não está pronto a entregar os pontos: “Traçar uma distinção clara entre aprendizagem e evolução é um erro. A evolução influi sobre a competência ou a rapidez com que uma espécie aprende a produzir vocalizações apropriadas”.

Talvez um dia a ciência dê a palavra final sobre a importância da evolução no miado (ou do miado na evolução). Mas não estará dando termo ao mistério que cerca o gato. Supõe-se que ele foi domesticado alguns milhares de anos depois do cão. Sua convivência com o homem tem sido irregular, acidentada, com períodos de deificação e perseguição. No antigo Egito, o gato foi literalmente a salvação da lavoura. Domesticado para controlar os roedores na cultura de grão ao longo do rio Nilo, acabou merecendo um lugar no panteão dos deuses. A deusa Bastet, que protege o deus-sol Rá de uma serpente, é uma gata.

Uma lenda muçulmana conta que, certo dia, a gata de Maomé estava dormindo sobre o manto do dono quando ele foi chamado para uma batalha. Maomé não cogitou acordá-la: preferiu cortar o manto com a espada. As crendices cristãs não foram tão simpáticas com o gato. Na Idade Média, ele foi caçado em toda a Europa por sua suposta associação com feiticeiras – o que contribuiu para que a peste, transmitida pela pulga dos ratos, fizesse sua colheita mortal entre os assustados cristãos.

O gato seria reabilitado nos séculos seguintes, mas, ainda hoje, subsistem algumas superstições de provável origem medieval (gato preto dá azar etc.). Na literatura, esse singelo animal doméstico muitas vezes parece ter um pé no mundo real e outro no além – o exemplo mais inquietante será O Gato Preto, do americano Edgar Allan Poe (1809-1849). Mesmo o sorridente Gato de Cheshire, criação do inglês Lewis Carroll (1832-1898) em Alice no País das Maravilhas, tem qualquer coisa de bizarro em sua invisibilidade parcial. A Rainha de Copas manda que o gato seja decapitado, mas seus guardas são incapazes de cumprir a ordem. Como podem cortar a cabeça de um bicho do qual só se enxerga o sorriso? É uma bela representação da nossa relação com os bichanos. Independentes e orgulhosos, eles não se submetem a nossos caprichos autoritários.





Os poetas têm uma predileção particular pelo gato. O francês Charles Baudelaire (1821-1867) dedicou-lhe alguns poemas célebres de As Flores do Mal. O americano naturalizado britânico T.S. Eliot (1888-1965) foi mais longe e dedicou um livro inteiro aos felinos. No Brasil, poetas contemporâneos como Haroldo de Campos, Ferreira Gullar e Nelson Ascher têm dado seguimento à tradição, tomando o gato como tema de seus versos.

A imagem dos felinos na cultura pop não é unívoca. Temos o simpático e psicodélico Felix, o gordo e cínico Garfield, e vários gatos atrapalhados e famintos, sempre frustrados na perseguição da sua caça – os mais famosos são Frajola e Tom. A violência implícita de desenhos como Tom e Jerry foi levada a extremos sangrentos na genial paródia Comichão e Coçadinha, que figura em alguns episódios de Os Simpsons. E não podemos esquecer os luxuriosos gatos de Striptiras, quadrinhos do brasileiro Laerte.

Enquanto escreve essa matéria, o repórter está sob a vigilância das pupilas oblongas do seu gato Sig, empoleirado sobre uma estante de livros. O melhor lugar para ter um gato, de qualquer modo, não é sobre os livros, mas no colo – bem aí onde ele se acomodou quando você, leitor, estava ainda no primeiro parágrafo. Bash Dibra usa a palavra “beleza” para descrever nossa comunicação com os gatos. O autor de CatSpeak não está exagerando. A ciência está apenas começando a entender essa curiosa comunicação entre espécies diferentes. Mas quem tem um gato já a conhece muito bem.




Sete mitos sobre os gatos

1. Gatos têm sete vidas
A lenda deve ter surgido por causa das habilidades especiais dos felinos. Ágil e elástico, o gato não é uma presa fácil. Tem um grande senso de equilíbrio e sabe girar o corpo no ar para cair quase sempre sobre as quatro patas. Mas não se engane: uma queda da janela do seu apartamento pode ser fatal.

2. Gatos não precisam de cuidados

O gato é mais independente que o cachorro. Mas, como todo animal doméstico, precisa de alimentação regular, instalações limpas, visitas ao veterinário – e muito carinho.

3. Gatos são cruéis

Gatos conseguem girar as patas dianteiras de modo que a parte de baixo fique voltada para dentro. Eles utilizam essa habilidade para “brincar” com sua caça, jogando o infeliz ratinho de uma pata para a outra. Parece sadismo, mas é só um comportamento instintivo.

4. Gatos não aprendem nada
Com paciência, carinho e alguma técnica, pode-se ensinar um gato a atender quando chamado pelo nome. O bichano também é capaz de aprender truques simples.

5. Gatos têm asma
Seu bichano pode sofrer de asma ou bronquite, mas essas doenças não são comuns a todos os gatos. Ocorre que quem não está acostumado com o ronronar característico do felino doméstico às vezes imagina que ele tem problemas respiratórios. Há também quem pensa que o gato provoca asma. Crendice sem fundamento. Pessoas asmáticas, no entanto, podem ter crises alérgicas em ambientes compartilhados com gatos. A substância que detona essas crises está na saliva do bichano.

6. Gatos gostam da casa, não do dono
Calúnia! Gatos são animais extremamente afetivos e adoram seus donos. Há inclusive casos, embora mais raros do que entre os cachorros, de gatos que sofrem de ansiedade da separação: ficam angustiados quando o dono sai e se põem a destruir a casa.

7. Cães e gatos são inimigos
Um lulu criado sem a companhia de um bichano talvez ataque o gato malandro que entrar em seu território. Mas não é uma implicância particular: a mesma agressividade seria demonstrada diante de um gambá, por exemplo. Cachorros não são predadores naturais dos gatos. Criados juntos, eles aprendem a conviver socialmente.


Frases

Ao contrário dos cães, que são gregários, gatos são individualistas

Com os cachorros, você manda. Com os gatos, é preciso pedir


Para saber mais

NA LIVRARIA
CatSpeak, de Bash Dibra (com colaboração de Elizabeth Randolph). Putnam, 2001

NA INTERNET
www.felinos.com.br
www.tica.org
www.cfainc.org www.news.cornell.edu/releases/Maya2/cat_talk.hrs.htm



FONTE: http://super.abril.com.br/mundo-animal/gatos-miau-443324.shtml

7º Mandamento da Guarda Responsável

7º Mandamento da Guarda Responsável


http://geekcats.com

domingo, 26 de setembro de 2010

ONG ajuda animal deficiente a achar novo lar em SP

ONG ajuda animal deficiente a achar novo lar em SP

Maioria das deficiências é causada por maus-tratos.

Bóris e Sissy
O gato Bóris ficou paraplégico por causa de maus-tratos; já a vira-lata Sissy teve a tetraplegia dignosticada após ser atropelada (Foto: Laurye Borim/G1)




Sissy foi atropelada e deixada em frente a uma clínica veterinária de São Paulo quando tinha apenas 2 meses. Por causa do acidente, teve inúmeras fraturas e machucados, mas a consequência mais grave foi a tetraplegia. Quando o final triste se desenhava, no entanto, a vira-lata foi adotada e ganhou um lar, carinho e dedicação.

Os tratamentos foram longos e cansativos. Mas para quem achou que ela não sobreviveria ou teria uma vida entediante por causa das limitações, o que se percebe, sem dúvida, é a sua imensa felicidade de viver.

Ter um animal deficiente em casa requer cuidados especiais. Inúmeros cachorros são abandonados todos os dias nas ruas da capital paulista. Os motivos são muitos: velhice, maus-tratos, hiperatividade, agressividade, deficiências ou até mesmo porque o dono não quer mais o bichinho. Segundo o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de São Paulo, cerca de 50 animais, entre gatos e cachorros, são adotados por mês, na maioria filhotes. Se para um cachorro sem qualquer tipo de deficiência já é difícil ser adotado, imagine o tamanho da dificuldade em encontrar um novo lar para um animal com algum problema físico.


E é justamente esse o desafio da ONG Sava (Solidariedade à Vida Animal). Criada em 2006, a ONG, que é a primeira do país a cuidar especialmente de animais deficientes, realiza feiras de adoção de cachorros deficientes todos os meses. A presidente, Arlete Martinez, é protetora dos animais há 20 anos e resolveu criar a ONG ao perceber que esse tipo de animal precisa de uma dedicação especial. “Sou protetora há bastante tempo. A ideia surgiu da vontade de ajudar esses bichinhos, que, na maioria das vezes, passam a vida toda esperando um novo lar.”


Arlete MartinezArlete Martinez é a presidente da ONG Sava
(Foto: Laurye Borim/G1)
As deficiências dos animais da ONG vão desde a cegueira até a paraplegia. A maioria fica deficiente após passar por maus-tratos. Os bichinhos são tratados com os recursos que a associação arrecada com suas protetoras e associados. E o custo não é baixo. “Temos cachorros, por exemplo, que passam por cirurgias que custam mais de R$ 1.000 e outros que precisam ficar internados em hospitais para cachorros, onde a diária custa em média R$ 60. Todos esses gastos são pagos por nós”, afirma Arlete.


A veterinária Claudia Vanessa Branco Rodriguez é uma das protetoras da ONG. Além de ajudar em ações do dia a dia, ela atende alguns desses animais sem cobrar nada pelo serviço em sua clínica. “Ajudo em tudo que posso. Inclusive, tenho três gatos deficientes em casa. É claro que eles têm limitações, mas, de maneira geral, não vejo diferença. Eles podem viver tão bem quanto qualquer outro.” Ainda de acordo com Claudia, esses bichinhos 'especiais' podem ser tão felizes quantos os animais sem nenhum tipo de deficiência, ou até mais. “Um cachorro paraplégico, por exemplo, não percebe que o cachorro com quem está brincando se movimenta com as quatro patas. Eles não percebem isso, não encontram obstáculos, vivem da forma que dá. Eles podem ser tão felizes quanto qualquer outro.”


Um dos gatos adotados pela veterinária é Bóris, que foi abandonado quando tinha 2 meses. Ele teve uma fratura na medula, que, segundo a veterinária, provavelmente foi causada por um “pisão” ou um chute. Agredido e muito machucado, ele foi abandonado na rua. Mas logo uma das protetoras da ONG o encontrou. Bóris chegou a passar por cirurgias, mas seu quadro era irreversível. Ele não tem o movimento das duas patas traseiras e se move apenas com as dianteiras. Mas esse “pequeno detalhe” não é um obstáculo para o bichano. “Ele corre, brinca, faz bagunça e quer atenção o dia inteiro. Até subir no arranhador ele sobe, e apenas com as duas patas que se movimentam”, diz a dona.


PriA pastora belga Pri, antes de perder o movimento
das quatro patas (Foto: Arquivo Pessoal)
História de amor
A jornalista Isabela Campos, de 28 anos, sabe bem como é ter um cachorro deficiente em casa. No caso dela, a pastora belga chamada Pri perdeu o movimento das patas por causa de um problema de saúde.


“Após muitos exames foi diagnosticado que a Pri estava com necrose no fêmur e que em breve ela não iria mais andar. Claro que fiquei muito chateada, pois a Pri sempre foi uma cachorra muito brincalhona e adorava correr. Ela fez sessões de acupuntura e fisioterapia, mas infelizmente após seis meses ela parou de andar. Na época, muitos falaram em sacrificá-la, mas essa hipótese nunca passou pela cabeça de ninguém da família. Foi então que comecei a buscar outras alternativas que melhorassem a condição de vida dela. Para todos aqueles que me sugeriam sacrificá-la eu respondia: ‘Se seu filho parar de andar, você vai sacrificá-lo?’”




Eutanásia
A eutanásia, segundo a veterinária Claudia, só é indicada para casos em que o animal tem algum tipo de deficiência muito grave que o impede, por exemplo, de se alimentar. Alguns tipos de vírus ou infecções também podem deixar a saúde do animal muito fraca. Além disso, há doenças graves que não têm tratamento. Nesses casos, a eutanásia pode ser analisada.

Tratamentos e cuidados
Para cada deficiência é indicado um tipo de tratamento. Animais com problemas de movimentação precisam passar por sessões de fisioterapia, além das cirurgias indicadas. Por causa do atrito diário e permanente com o chão, há a possibilidade de que apareçam algumas feridas na pele, conhecidas por escaras. Nesses casos, há necessidade do uso de pomadas e remédios indicados. Animais paraplégicos ou tetraplégicos devem receber cuidados especiais durante todo o dia, pois podem precisar de ajuda na hora da alimentação.


Quando o bichinho é cego, os obstáculos que podem ter em uma casa, como escadas e objetos de decoração, são os grandes vilões.


No entanto, todos esses cuidados e tratamentos especiais que têm de ser oferecidos são recompensados pela felicidade que o bichinho pode proporcionar. “Eles são como filhos e não há como medir esforços para deixá-los felizes. Além disso, os cuidados que você tem de ter com um animal especial não é tão diferente do que de um animal ‘normal’, diz a veterinária.


Como ajudar
A ONG Sava não possui abrigo próprio e todos os animais ficam nas casas das protetoras até conseguirem um lar. Os custos são pagos pelas doações dos associados e também pelas próprias protetoras. Diversas feiras de doação e bingos beneficentes são realizados todos os meses.


A ONG aceita todo tipo de ajuda: rações, medicamentos, vermífugos, xampus, sabonetes para sarna, jornais, casinhas, caminhas, roupinhas, guias e coleiras. Quantias em dinheiro são revertidas em castrações, vacinas e gastos veterinários (consultas, cirurgias, internações, medicamentos e hospedagem). O contato pode ser feito pelo site da ONG.



sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Lá e aqui...

Lá   e   aqui...




Europa reduz experimentos científicos com animais e proíbe uso de grandes símios


ESTRASBURGO, França, 8 Set 2010 (AFP) - A ciência será obrigada a deixar de utilizar na Europa os grandes símios em seus experimentos e terá que limitar ao máximo, de acordo com regras rígidas, o uso de outros animais, em uma decisão aprovada pelo Parlamento Europeu após dois anos de intensas negociações.
A nova regra proíbe o uso de chimpanzés, gorilas e orangotangos em experimentos científicos, enquanto o uso de outros primatas será objeto de uma "restrição estrita".
A Eurocâmara aprovou, em termos gerais, que as experiências com animais sejam substituídas, na medida do possível, por um método alternativo cientificamente satisfatório.
Os cientistas terão que trabalhar para que "a dor e o sofrimento infligidos sejam reduzidos ao mínimo", afirma o texto aprovado em sessão plenária pelo Parlamento Europeu, com sede em Estrasburgo (França).
O uso dos animais só pode acontecer nos experimentos que têm como objetivo fazer avançar a pesquisa sobre o homem, os animais ou doenças (câncer, esclerose múltipla, Alzheimer e Parkinson).
A norma, que tem prazo de dois anos para ser adotada pelos Estados europeus, completa uma lei aprovada em 2009 que proíbe os testes de produtos cosméticos em animais.
Mas o texto desagradou tanto os defensores de uma abolição total como os favoráveis à causa científica.
"O progresso da medicina é crucial para a humanidade e, infelizmente, para avançar é necessára a experimentação animal", afirmou o eurodeputado conservador italiano Herbert Dorfmann.
Já a eurodeputada parlamentar belga Isabelle Durant, verde, afirmou que "é possível reduzir o número de animais utilizados com fins científicos sem prejudicar a pesquisa".
Quase 12 milhões de animais são utilizados a cada ano com fins experimentais na UE. Segundo os especialistas, o estado atual do conhecimento científico não permite a supressão total do uso.





 Câmara aprova lei que proíbe a prática de abandono e crueldade contra os animais em Piracicaba




A Câmara de Vereadores de Piracicaba aprovou esta semana Projeto de Lei do vereador Laércio Trevisan Júnior, que proíbe a prática de maus-tratos e crueldade contra os animais no município. Pela lei, fica definido como mau-trato todas as ações, diretas ou indiretas, que são capazes de provocar privação das necessidades básicas dos animais, além de sofrimento físico, medo, estresse, angústia, patologias ou morte.

A lei contempla práticas de abandono em vias públicas ou em residências fechadas ou inabitadas; agressões diretas ou indiretas de qualquer tipo, como espancamento, lapidação, uso de instrumentos cortantes, uso de substâncias químicas, fogo, uso de substâncias escaldantes, tóxicas, e privação de alimento.

Pela lei, o infrator terá primeiro a advertência por escrito e, em caso de reincidência, multa no valor de R$ 2 mil. O valor multiplica a cada nova infração. Se o infrator for pessoa jurídica e a infração tenha alguma relação com a atividade exercida pelo estabelecimento, também haverá punição. Em caso de segunda reincidência, poderá acontecer a cassação do alvará de licença e funcionamento do estabelecimento.

O valor pecuniário da multa será reajustado anualmente pela variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo, apurado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Será assegurado o direito à defesa ao infrator e a lei entra em vigor no prazo de 60 dias após a data de publicação. 
(Felipe Rodrigues)
“O início de uma nova era”

Para Miriam Miranda, presidente da ONG (organização não-governamental) Vira Lata Vira Vida, a aprovação da lei pode representar o início de uma nova era em Piracicaba. “Estou vendo a aprovação de uma forma bem otimista”, diz. Miriam entende que a nova lei vem para ilustrar uma época nova de conscientização. “Esse meu otimismo com a aprovação talvez venha de tudo que a gente tem conseguido com o abrigo de cães, mas é inegável o crescimento da consciência das pessoas, que têm ajudado bastante”, declara. “Piracicaba pode, com isso, se tornar referência no combate aos maus-tratos”. O vereador Laércio Trevisan destaca que a Constituição determina que o Poder Público deve impedir a crueldade contra animais. “A Lei Federal que trata de crimes ambientais caracteriza crueldade contra animais como crime passível de prisão e multa. Ou seja, cabe ao município e legisladores e ao Executivo coibir a prática”.



segunda-feira, 20 de setembro de 2010

São Francisco no Céu



São Francisco no Céu
Imagem: De autoria do chargista, ilustrador e artista plástico Novaes (ver Blog NOVAES HUMOR E ARTE), 

São Pedro tirou férias e São Francisco o substituiu, por bem conhecer a alma humana. Após alguns dias, no entanto, notou-se que menos pessoas estavam entrando no céu. 

Um anjo curioso foi ver se descobria porque e ficou a observar São Francisco. O próximo da fila era um homem bem apessoado, de aparência até nobre. Qual não foi o espanto do anjo quando viu que, enquanto o homem se aproximava de São Francisco, pulou no colo do Santo um belo pastor alemão. 

- Feroz, aí está o seu antigo senhor. O que me dizes? perguntou o Santo ao cão. 

- São Francisco, ele me deixou preso a uma corrente minha vida inteira, fizesse sol ou chuva, e me chutava e me batia todo o tempo. Até que um dia não resisti e estou aqui! 

Ao homem, São Francisco fechou as portas do céu. 

Então, foi a vez de uma senhora de aparência bondosa. No colo do Santo, uma gata persa que disse:

- São Francisco, ela me mostrava aos amigos que chegavam e passeava comigo no shopping. Mas em casa, me esquecia num canto e viajava sem me deixar água ou comida suficiente. Quando adoeci, sem ao menos tentar me salvar, ela mandou me sacrificar e comprou outro pobre animal. 

São Francisco também lhe fechou as portas do céu. 

Chegou então uma jovem. Uma gatinha novinha logo pulou no colo do santo. A jovem disse assustada:
- Mas nunca tive filhotes! Somente um gato macho que ainda vive! 

A gatinha miou baixinho:

- Eu sou um dos filhotinhos que seu gato gerou na rua e que, abandonados, desnutridos, morreram doentes poucos dias depois de nascidos. Tudo porque você não queria castrá-lo nem deixá-lo em casa. 

Essa jovem também não entrou no céu. 

Finalmente, chegou a vez de um senhor idoso. Mas, quando ele chegou a São Francisco, nenhum animal apareceu. 

O Santo perguntou:

- Nunca tiveste um bicho de estimação? 

O senhor respondeu:

- Não! Porque não quis animais de estimação. 

Verificadas outras pendências, São Francisco abriu as portas do céu para o homem. O anjo, surpreso, perguntou:

- Mas ele desgostava tanto dos bichos que nem os tinha! 

São Francisco respondeu:

- Não ter bichos não é pecado. Os homens que dizem gostar e os têm e os tratam mal, como se fossem bibelôs ou brinquedos, se esquecem que seus animais de estimação não são suas criaturas, mas criaturas de Deus aos homens confiadas para alegrar suas vidas. Esses sim, prestarão contas de como cuidaram dos animais sob sua responsabilidade.

fonte: Ulysses do Rêgo

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Rio de Janeiro - 1ª Festa da Primavera dos Peludos

Olá a Todos.

Esta Festa tem como objetivo arrecadar fundos para ajudar os animais que estão sob cuidados ou são de responsabilidade dos seguintes grupos:

  • Ajudar é tudo de bom
  • Morada Direito de Viver.
  • Patas  e  Patas
  • Se não Posso Adotar Posso Ajudar
  • SOS Felinos

Pedimos a todos os amigos que prestigiem os animais e compareçam a nossa festa!

É a oportunidade de colaborar com diversão, confraternização, brincadeiras e lazer.

Divulguem para seus contatos, repassem para seus amigos!

Muitos Peludinhos dependem dessa ajuda!


Dia 19/09/2010 -  Próximo Domingo

Das 10h às 14h

Escolinha de Futebol do Flamengo

Rua Honório 1291, bem pertinho do Norteshopping.

Toda a ração para gatos arrecadada pelo Patas e Patas será doada para os Gatos do Campo de Santana






Na estrada

 Na estrada

O viajante segue seu caminho. De suas rotas, só sabe seu destino: a chegada. Não importa o quão distante seja, uma vez que a luz se faz presente. Sempre.
No meio de uma estrada algo inusitado lhe veio. Não que não esperasse, mas talvez não soubesse de sua existência. Em sua existência se fez carne e dela se fez espírito. À sua volta, o declínio por vezes se via. A humanidade lhe cedia um pouco da atenção, mas uma extensa e densa nuvem os impedia de se comunicar – pelo menos, da forma como se deveria.
E assim o viajante segue. Em meio a torres que se levantam, brotando do chão, ou em meio à pedras que insistem em rolar sobre o seu caminho, nada mancha o linho. Lindos passarinhos se põem a cantar numa orquestra desarmônica mas, que por sua liberdade, entoam a mesma música. Doces sons que se espalham pelo ar.
Sobre sua cabeça, uma coroa flamejante. Sol que o aquece, lua que lhe orienta. Das luzes, se faz luz e sobre a escuridão sua voz prevalece. Não se esquece de que um dia lá esteve embora de lá nunca tenha sido. Lembranças que retornam no vento que lhe sopra, hoje trazendo refrigério.
Sua parada era esperada - descanso certo dos viajantes. Mas, ela estava ainda mais longe. Seus pés se cansaram, seu corpo fatigara, mas seu foco o mantinha. Não que não tivesse pensado em desistir, mas dentro de si, ele queria ir. E chegar. E ir.
Lágrimas foram vistas, mas a dor se fez em alegria. Do mar, muito se extraiu. No céu, muito se viu.  Dos montes se enxerga mais longe. Já dos vales, a sombra leva ao descanso, não que não seja bom, mas faz interromper a viagem interior. E da viagem se perde, suas pernas enfraquecem ao olhar para o alto.
Às vezes só. Às vezes acompanhado. Mas, a solidão dá lugar à junção. Processo certo daquele que O procura. O sentimento pleno de sua ida traduz-se pela forma eficaz de sua vinda. Ou nova ida. Mas, assim se faz.
Não que seja bom, porque o bom está para a carne. É deleitoso, pois o espírito se alimenta, enriquece, esquenta do fogo que de cima vem. E assim ele segue. Em mais um dia. Nova estadia. Talvez, amanhã seja diferente. Pode ainda ser igual a um outro dia. Quem sabe ele ainda tenha que reviver ou fechar a porta que havia deixado aberta. Ele não sabe antes, sabe durante, sabe depois.
Aumenta o seu passo. O faz confiante. Fortalece-se DELE, NELE. Mas, não lança todo o seu peso, pois reconhece que parte deste não deveria ter ido. Continua erguido nos pés já adaptados, numa musculatura mais forte, que o permitirá ir além.
Linda e surpreendente viagem ao além.

Que ELE seja contigo e em ti, hoje e em todos os teus dias!
Isaac Yedidyah
F.I.M. – Fraternidade de Iluminadores do Mundo


Que o ALTÍSSIMO seja contigo e em ti, hoje e em todos os teus dias!

F.I.M. - Fraternidade de Iluminadores do Mundo